Um shorts, duas blusas, comida e água. Tudo isso, ou apenas isso, numa mochila. Estava na terra em que nasceram pequeninas províncias, por existir, com licença pela redundância, miúdas pedritas, cujo tamanho contrasta com seu valor e dá nome a Região: Chapada Diamantina.
A expedição é o Vale do Pati, palco da antiga rota de exploração dos Bandeirantes. O cenário é marcado por profundos vales, contrapondo com chapadões rasgados por águas vermelho-cristalinas. No entanto, apesar da complexa paisagem, a simplicidade dos moradores que encontrei na trilha roubou a cena.
Moradores como seu Wilson, um auto-retrato do Brasil, com nome “dos estrangeiro”. Ou Seu Eduardo, que numa noite regada ao som da sanfona e triângulo, me contou o causo do filho que vivia nas cachoeiras, ficava tanto dentro d’água que pegou uma dessas doenças e morreu...de tanta água.
Aqui o carro mais rápido é o burro, sem energia elétrica, sem telefone, sem rede Globo, sem baixa do PIB ou de Dow Jones, a primeira coisa que me perguntei foi: como eles conseguem viver aqui? Só depois percebi que a pergunta certa era: como a gente consegue viver lá?
Isolada no Vale do Pati, nunca me senti tão viva e conectada ao mundo.